Com milhares de animais, expositores e negócios, a Expointer reforça a força do agro e pode gerar reflexos para produtores e empresas da região de Bagé.
A abertura da Expointer 2026 coloca novamente o agronegócio no centro das atenções do Rio Grande do Sul. A 49ª edição da feira começou em 29 de agosto e segue até 6 de setembro no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio, reunindo cerca de 2 mil expositores, milhares de animais, máquinas, tecnologias, agroindústrias e representantes de diferentes cadeias produtivas. O evento também terá uma programação voltada a infraestrutura, transição energética, proteção contra eventos climáticos e futuro do setor rural. (Portal do Estado do Rio Grande do Sul)
Para Bagé e os municípios da Campanha Gaúcha, a Expointer não é apenas uma feira distante realizada na Região Metropolitana. As decisões, tecnologias, tendências e negociações apresentadas em Esteio podem influenciar produtores, empresas, trabalhadores e consumidores de uma região cuja economia possui forte ligação com a pecuária e a agricultura. A participação de diferentes segmentos também ajuda a indicar quais atividades podem ganhar espaço nos próximos anos.
Outro ponto importante é que a feira ocorre justamente em um momento de discussão sobre produtividade, adaptação climática e modernização do campo. Por isso, mais do que acompanhar os resultados comerciais da Expointer, o produtor de Bagé pode observar quais soluções estão chegando ao mercado e quais mudanças podem afetar a atividade rural na Campanha.
O que a Expointer 2026 revela sobre o futuro do agronegócio gaúcho?
Os números da edição deste ano mostram uma expansão importante da presença animal. Foram inscritos 7.926 animais, sendo 5.756 de argola e 2.170 rústicos. Na comparação com 2025, o número de animais de argola cresceu 12%, enquanto a participação dos rústicos aumentou 36%. Também houve crescimento de 46% nas inscrições de pequenos animais. (Portal do Estado do Rio Grande do Sul)
Para uma região como Bagé, tradicionalmente ligada à pecuária, esses números ajudam a dimensionar a importância econômica de genética, manejo, reprodução e valorização dos rebanhos. A Campanha Gaúcha possui características que tornam a pecuária uma atividade estratégica, e eventos como a Expointer funcionam como uma vitrine para novas práticas e oportunidades comerciais.
A feira também evidencia que o agronegócio está cada vez mais conectado à tecnologia. Máquinas, equipamentos, ferramentas digitais e soluções voltadas à eficiência produtiva ocupam espaço crescente nas exposições. Para produtores da região, acompanhar essas novidades pode ajudar na tomada de decisões sobre investimentos, especialmente em propriedades que buscam elevar produtividade sem necessariamente ampliar a área cultivada ou o tamanho do rebanho.
Outro destaque está na agricultura familiar. O Pavilhão da Agricultura Familiar reúne 509 expositores de 218 municípios, incluindo agroindústrias, artesanato, plantas, mudas e flores. Em 2025, o espaço registrou R$ 13,6 milhões em vendas. (Portal do Estado do Rio Grande do Sul)
Esse movimento também interessa a pequenos empreendedores de Bagé e de outros municípios da Campanha. A experiência da Expointer mostra como produtos rurais podem ganhar valor quando passam por processamento, identidade regional, embalagem, comercialização e estratégias de acesso a novos consumidores.
Como a Expointer pode afetar produtores, empresas e trabalhadores de Bagé?
O impacto mais direto pode aparecer na cadeia de fornecedores. Quando produtores investem em máquinas, genética, insumos, estruturas, serviços técnicos ou tecnologias, o movimento não fica restrito às propriedades rurais. Oficinas, transportadoras, lojas agropecuárias, profissionais especializados, cooperativas e prestadores de serviços também podem ser beneficiados.
Em Bagé, esse efeito é particularmente relevante porque a economia regional está ligada a atividades que dependem de uma rede ampla de fornecedores. Uma propriedade que moderniza sua produção pode demandar manutenção, assistência técnica, transporte, serviços veterinários e soluções de gestão. Assim, uma tendência apresentada em uma grande feira estadual pode se transformar em oportunidade para empresas locais.
A Expointer também ajuda a identificar áreas que podem ganhar importância no mercado de trabalho. A edição de 2026 estima cerca de 30 mil empregos diretos durante as etapas de preparação, realização e desmontagem do evento. Embora esses postos estejam concentrados em Esteio, o número demonstra a capacidade do agronegócio de movimentar diferentes segmentos além da produção primária. (Portal do Estado do Rio Grande do Sul)
Para trabalhadores e estudantes da Campanha, isso reforça a importância de qualificações relacionadas à agropecuária, tecnologia, administração rural, logística, manutenção de máquinas, veterinária e processamento de alimentos. A modernização do campo tende a aumentar a necessidade de profissionais capazes de combinar conhecimento tradicional com ferramentas tecnológicas.
Há ainda um componente importante para o comércio. Uma agropecuária, por exemplo, pode acompanhar quais produtos estão ganhando espaço na feira e avaliar novas oportunidades de negócio. Restaurantes, hotéis, transportadores e outros serviços também podem se beneficiar indiretamente do fortalecimento das atividades ligadas ao setor rural.
Quais tendências da Expointer merecem atenção na Campanha Gaúcha?
Um dos principais temas da edição de 2026 é a preparação do agronegócio para um cenário de maior pressão climática. A programação técnica inclui debates sobre proteção contra eventos climáticos e questões ambientais. O governo estadual também informou que a Expointer terá ações voltadas à orientação dos produtores sobre temas ambientais. (Portal do Estado do Rio Grande do Sul)
Essa discussão tem importância especial para o Rio Grande do Sul. Nos últimos anos, agricultores e pecuaristas precisaram lidar com períodos de estiagem, chuvas intensas e outros eventos capazes de afetar produção, infraestrutura e renda. Na Campanha, onde a atividade rural possui peso econômico significativo, planejamento e gestão de riscos podem se tornar cada vez mais importantes.
Outro sinal observado na feira é a aproximação entre agro e sustentabilidade. A Expointer 2026 foi planejada como evento carbono neutro, considerando fatores como consumo de energia e água, geração de resíduos e transporte de animais. (Portal do Estado do Rio Grande do Sul)
Para Bagé, essa tendência pode representar tanto desafio quanto oportunidade. Produtores que adotarem práticas mais eficientes podem encontrar novas possibilidades de mercado, enquanto empresas locais podem desenvolver serviços relacionados a gestão ambiental, eficiência energética, manejo de resíduos e tecnologias aplicadas ao campo.
A presença de inteligência artificial também chama atenção. Pelo segundo ano, a Expointer utiliza o Expointer 360º, mapa interativo que conta com a GurIA, assistente virtual baseada em inteligência artificial generativa. Embora seja uma ferramenta voltada à experiência do visitante, a iniciativa simboliza uma transformação mais ampla: tecnologias digitais estão deixando de ser exclusividade de grandes empresas e passando a integrar diferentes atividades do agronegócio. (Portal do Estado do Rio Grande do Sul)
Para os próximos meses, o principal ponto de atenção para Bagé será acompanhar quais tecnologias e modelos de negócio apresentados em Esteio realmente chegam às propriedades e empresas da Campanha. A Expointer termina em 6 de setembro, mas seus efeitos podem continuar aparecendo em compras de máquinas, contratação de serviços, decisões de investimento e adoção de novas técnicas de produção.
A tendência é que a competitividade regional dependa cada vez mais da capacidade de unir a tradição pecuária e agrícola da Campanha com inovação, qualificação profissional e gestão de riscos. Para produtores, empresários e trabalhadores de Bagé, acompanhar essas transformações pode ajudar a identificar oportunidades antes que elas se tornem realidade no mercado local. A feira, portanto, funciona não apenas como vitrine do presente, mas também como um termômetro para entender para onde o agronegócio gaúcho está caminhando.
Fontes: Governo do Rio Grande do Sul: Expointer 2026 · Governo do Rio Grande do Sul: programação técnica da Expointer · Correio do Povo: Fórum de Desenvolvimento Gaúcho · Emater/RS-Ascar: informações agropecuárias
