Há menos de duas décadas, o processo de produção de uma gráfica começava com o cliente chegando pessoalmente com um arquivo em CD ou, em casos mais críticos, com um disquete. O fundador da Gráfica Print, Dalmi Fernandes Defanti Junior, viveu essa era e acompanhou de perto cada salto tecnológico que transformou o setor em algo irreconhecível para quem o conheceu em seus primórdios analógicos.
O que significa, de fato, a digitalização no contexto gráfico?
Digitalização no setor gráfico não significa apenas receber arquivos por e-mail ou usar softwares de design. Significa a integração de todos os fluxos de trabalho do pedido à entrega em ambientes digitais conectados, onde informações circulam sem fricção, processos são automatizados e o controle de qualidade acontece em tempo real.
Na prática, isso inclui sistemas de gestão que geram ordens de produção automaticamente a partir do pedido do cliente, plataformas de aprovação de artes online que eliminam o vai e vem de e-mails, impressoras conectadas em rede que recebem arquivos diretamente do servidor e sistemas de rastreamento que informam ao cliente, em tempo real, em que etapa seu pedido está.
Como era antes e por que o modelo antigo não escala mais?
No modelo analógico, a informação era verbal e fragmentada. O pedido era anotado à mão, passado para o operador de máquina oralmente, e as especificações viviam na cabeça do atendente que recebeu o cliente. Esse modelo funcionava enquanto o volume era baixo e a equipe era pequena; todos se conheciam, a comunicação era direta e os erros eram corrigidos rapidamente.
Dalmi Fernandes Defanti Junior explica que, com o crescimento do volume de pedidos, esse modelo começa a colapsar. A informação verbal se perde. As anotações manuais somem. O operador que estava de folga na sexta-feira não foi informado da alteração feita pelo cliente no sábado. O erro só é descoberto na entrega, e o custo de refazer cai inteiramente sobre a gráfica.
Quais tecnologias estão no centro dessa transformação?
Os sistemas MIS (Management Information Systems) específicos para gráficas são a espinha dorsal da digitalização do setor. Eles integram orçamento, planejamento de produção, controle de estoque de insumos, faturamento e gestão de clientes em uma plataforma única. O ganho de visibilidade que isso gera é transformador: o gestor passa a saber, em qualquer momento, qual é a capacidade produtiva disponível, quais pedidos estão em atraso e qual cliente ainda não aprovou a arte.
A impressão digital de alta produção, por sua vez, eliminou a necessidade de fotolitos e chapas para tiragens menores, reduzindo o custo de setup a quase zero. Dalmi Fernandes Defanti Junior enfatiza que isso viabilizou economicamente um modelo que antes era inviável: produção sob demanda, sem estoques, com personalização por unidade. A Gráfica Print opera com essa lógica, o que permite atender tanto grandes clientes corporativos quanto pequenos negócios com a mesma qualidade.

Automação elimina empregos ou transforma funções?
Essa é uma das perguntas mais frequentes entre profissionais do setor, e a resposta honesta é: depende de como a automação é implementada. Quando automatizar significa eliminar funções sem requalificar as pessoas que as exerciam, o resultado é redução de custo de curto prazo e perda de conhecimento de longo prazo. Quando automatizar significa liberar as pessoas das tarefas repetitivas para que se concentrem nas atividades que exigem julgamento, criatividade e relacionamento, o resultado é ganho de produtividade e aumento de valor entregado ao cliente.
Especialistas em assuntos gráficos que acompanham esse processo entendem que a automação bem implementada não reduz equipes, mas redefine o que cada pessoa faz. O operador que antes digitava pedidos manualmente passa a monitorar filas de produção. O atendente que tirava dúvidas básicas por telefone passa a fazer consultoria de projeto.
O que ainda está por vir e como se preparar agora
Impressão com inteligência artificial para otimização de cor, manutenção preditiva de equipamentos baseada em dados de sensores e personalização em massa orientada por comportamento de compra são tendências que já estão sendo testadas em operações de grande porte. Em dois a cinco anos, essas tecnologias devem se tornar acessíveis para gráficas de médio porte.
Dalmi Fernandes Defanti Junior frisa que a preparação começa agora, com a digitalização dos processos básicos, porque não há como aproveitar tecnologias avançadas sobre uma base operacional analógica. Quem já digitalizou tem a vantagem de estar pronto para o próximo salto. Mais sobre esse caminho em graficaprint.com.br ou pelo Instagram @graficaprintmt.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
