Agronegócio brasileiro bate recorde de exportações no primeiro semestre de 2026
Carnes, soja e algodão puxam resultado histórico do setor, que também sustenta parte importante da economia de Bagé e da região.
O agronegócio brasileiro fechou o primeiro semestre de 2026 com o melhor resultado da série histórica para o período. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, as exportações do setor somaram US$ 87 bilhões entre janeiro e junho, um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O superávit comercial do agronegócio chegou a US$ 77 bilhões, depois de importações de US$ 10 bilhões no período.
Soja mantém liderança nas exportações
Esse desempenho foi puxado principalmente pela soja, pelas carnes e pelo algodão, produtos que também têm peso relevante na economia da Campanha Gaúcha, região onde Bagé está inserida. A soja em grãos manteve a liderança da pauta exportadora, com embarques recordes de 69,6 milhões de toneladas no semestre, alta de 7,1% frente ao mesmo período do ano anterior. A China seguiu como o principal destino do produto brasileiro, recebendo cerca de 69% de todo o volume exportado.
Carne bovina impulsiona o avanço do setor
No segmento de carnes, o resultado também impressiona. A carne bovina in natura somou US$ 9,1 bilhões em vendas externas, um avanço de 38,5%, com volume exportado de 1,5 milhão de toneladas, alta de 16,2%. Esse tipo de crescimento tende a beneficiar diretamente regiões pecuaristas como a Campanha Gaúcha, tradicionalmente ligada à criação de gado de corte e à cadeia produtiva da carne bovina.
Algodão e farelo de soja também batem recordes
O algodão também registrou o maior valor da série histórica para o período, com exportações somando US$ 2,8 bilhões. Já o farelo de soja movimentou US$ 4,6 bilhões, alta de 14,8%, impulsionado por um recorde de 12,7 milhões de toneladas embarcadas. Segundo o Ministério da Agricultura, o Irã foi o país que mais ampliou as compras desse produto brasileiro, com crescimento de 571,3% em relação ao primeiro semestre de 2025.
Nem todos os produtos acompanharam o crescimento
Apesar do desempenho positivo do conjunto do setor, nem todos os produtos seguiram o mesmo ritmo de crescimento. As exportações de café verde caíram nos principais mercados consumidores, enquanto o açúcar bruto teve queda de 24,5% na receita, resultado da redução de 21,9% no preço médio internacional da commodity. A celulose também recuou 4% no valor exportado, mesmo com preços médios mais altos, por conta de um volume comercializado menor.
Cenário fortalece a economia da Campanha Gaúcha
Para produtores da região de Bagé, esse cenário nacional de recordes ajuda a entender por que o mercado de commodities agropecuárias segue sendo um dos pilares mais estáveis da economia local, mesmo em anos de oscilação de preços internacionais. A diversificação da pauta exportadora brasileira, que também bateu recordes em produtos como bovinos vivos, café solúvel e carne suína, mostra que o setor não depende de um único produto para sustentar seu crescimento.
Exportações aquecem investimentos no campo
Esse tipo de resultado nacional também costuma influenciar decisões locais, como a renovação de maquinário agrícola, a contratação de mão de obra temporária na safra e o volume de crédito rural buscado por produtores da Campanha junto a cooperativas e instituições financeiras. Quando o cenário de exportação é favorável, essa cadeia de decisões tende a se movimentar com mais confiança, o que pode se refletir no comércio local de Bagé, desde revendas de insumos até prestadores de serviços ligados ao campo.
Setor acompanha cenário internacional
Esse tipo de dado nacional costuma ter reflexo direto no bolso de quem trabalha com pecuária e agricultura na Campanha Gaúcha, já que o preço pago pelos frigoríficos e tradings costuma acompanhar, ainda que com defasagem, o comportamento do mercado internacional. Para os próximos meses, o desafio do setor será sustentar esse ritmo de crescimento em um cenário de possíveis mudanças nas tarifas de importação aplicadas por parceiros comerciais, como os Estados Unidos, que já preocupam parte da cadeia exportadora do agro brasileiro.
Fontes:https://revistacultivar.com.br/noticias/exportacoes-do-agro-batem-recorde-no-primeiro-semestre
