Lucas Peralles, especialista em comportamento alimentar e fundador do Método LP, acompanha com frequência um ciclo que começa com determinação e termina em frustração: o paciente corta o carboidrato completamente, perde peso rápido nas primeiras semanas, sente que finalmente encontrou o que funciona, e então o processo trava, o cansaço aumenta, a performance no treino cai e a compulsão por doce aparece com uma intensidade que nunca havia sentido antes. O carboidrato volta, o peso volta, e a conclusão é que faltou força de vontade. Mas o que aconteceu foi fisiologia, não fraqueza.
A restrição severa de carboidrato é uma das estratégias mais populares e, ao mesmo tempo, mais mal compreendidas da nutrição contemporânea. Isso porque ela produz resultados reais no curto prazo por razões específicas e gera problemas igualmente reais no médio prazo pelas mesmas razões. Por essa razão, entender o mecanismo por trás desses dois movimentos é o que permite usar o carboidrato como ferramenta estratégica em vez de tratá-lo como inimigo a ser eliminado. Confira a seguir!
Por que o peso cai rápido nas primeiras semanas?
A perda de peso acelerada nas primeiras semanas de restrição de carboidrato tem uma explicação direta: cada grama de glicogênio, a forma como o organismo armazena carboidrato nos músculos e no fígado, é armazenada junto com aproximadamente três gramas de água. No momento em que a ingestão de carboidrato cai drasticamente, os estoques de glicogênio se esgotam em poucos dias e toda a água associada a eles é eliminada. Diante disso, uma pessoa pode perder de dois a quatro quilos em uma semana sem ter perdido praticamente nada de gordura.
Esse peso retorna imediatamente quando o carboidrato é reintroduzido, porque os estoques de glicogênio são reabastecidos e a água volta junto. Lucas Peralles, nutricionista para emagrecimento localizado na Zona Leste de São Paulo, trabalha para que o paciente entenda essa distinção antes de iniciar qualquer estratégia nutricional, porque confundir perda de glicogênio com perda de gordura é o que transforma uma estratégia temporariamente eficiente em uma fonte de frustração cíclica.

O que acontece com o metabolismo na restrição prolongada?
Quando a restrição de carboidrato se estende por semanas ou meses, o organismo se adapta de formas que comprometem progressivamente o resultado. A produção de T3, a forma ativa do hormônio tireoidiano, reduz em resposta à baixa disponibilidade de glicose, desacelerando o metabolismo. Os níveis de cortisol tendem a aumentar, porque o organismo interpreta a escassez de glicose como estressor fisiológico. A leptina, hormônio que regula o apetite e sinaliza saciedade ao cérebro, cai, aumentando a fome e reduzindo o gasto energético espontâneo.
Lucas Peralles, devido a seus anos de experiência na área, avalia esses marcadores como parte do acompanhamento clínico em pacientes que chegam após períodos prolongados de restrição severa de carboidrato. O protocolo de recuperação metabólica, que inclui a reintrodução gradual e estratégica de carboidratos, frequentemente precede qualquer nova intervenção para emagrecimento, porque tentar emagrecer sobre um metabolismo em estado de defesa produz resultados muito inferiores ao potencial real do paciente.
O carboidrato como ferramenta, não como problema
A nutrição esportiva trata o carboidrato como substrato energético primário para o exercício de moderada a alta intensidade, e por razões fisiológicas sólidas. A glicose é o combustível mais eficiente para o trabalho muscular intenso, e sua escassez compromete diretamente a capacidade de treinar com carga suficiente para estimular hipertrofia e manter a massa muscular durante o emagrecimento. Quem treina com força em restrição severa de carboidrato frequentemente nota queda de desempenho, maior percepção de esforço e recuperação mais lenta entre as sessões.
Lucas Peralles, criador do Método LP, posiciona o carboidrato de forma estratégica no protocolo nutricional: em quantidade e timing adequados para sustentar o treino, favorecer a recuperação muscular e manter o metabolismo funcionando sem os mecanismos de defesa que a restrição severa ativa. Mais do que uma escolha técnica, essa decisão reflete um entendimento profundo de comportamento alimentar: restrições rígidas e prolongadas tendem a gerar relações cada vez mais conflituosas com a comida, tornando qualquer protocolo difícil de sustentar na vida real.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
