ID CTVM detalha como validação de lastro, conciliação com registradoras, cálculo de cota e liquidação bancária se encadeiam para dar transparência ao mercado securitizado
A chegada do investidor de varejo às cotas de FIDCs, aberta pela Resolução CVM 175, e a revisão das regras da ANBIMA sobre verificação de lastro, em vigor desde março de 2026, elevaram o nível de detalhe que o mercado passou a exigir de quem opera a retaguarda dos fundos estruturados, e a ID CTVM organiza sua infraestrutura justamente em torno dessa exigência. Na ID CTVM, um direito creditório percorre uma sequência de etapas encadeadas, da validação inicial à liquidação, em que cada passo deixa um registro verificável pelo seguinte. Para Rodrigo Balassiano, diretor da instituição, transparência no mercado securitizado não se resume a divulgar informações ao cotista: depende de que cada número divulgado possa ser reconstituído até a sua origem.
Primeiro filtro: o recebível precisa existir e estar livre
O percurso começa quando a gestora decide adquirir um lote de direitos creditórios. Pelas regras atualizadas do Código ANBIMA, cabe a ela verificar o lastro no momento da aquisição e encaminhar ao custodiante a documentação correspondente. A partir daí, a custódia assume a guarda e a verificação documental, inclusive nos casos de vencimento, inadimplência ou substituição do crédito.
Na ID CTVM, essa etapa passa pelo Portal IDSF, ferramenta voltada à esteira de direitos creditórios e à validação automatizada de recebíveis. A checagem cruza as informações enviadas pelo cedente com as bases das registradoras, para confirmar que o título existe, que pertence a quem o está cedendo e que não foi comprometido em outra operação. Um recebível que não passa por esse filtro não chega à carteira.
Conciliação diária com as câmaras de registro
Aceito o ativo, o trabalho muda de natureza. A custódia qualificada passa a conciliar diariamente as posições do fundo com as câmaras de registro e liquidação, como a B3 e a Cerc. O objetivo é simples de enunciar e trabalhoso de executar: garantir que aquilo que o fundo declara possuir seja exatamente aquilo que está registrado em nome dele fora da instituição.
Divergências, quando aparecem, precisam ser tratadas no mesmo dia. Um título liquidado antecipadamente pelo sacado, uma recompra pelo cedente ou um ajuste de valor alteram a carteira e, por consequência, o patrimônio do fundo. Rodrigo Balassiano observa que a conciliação diária funciona como uma espécie de prova real da carteira, refeita todos os dias.
Da carteira conciliada à cota do dia
Só depois dessa conferência a controladoria apura a cota patrimonial. O cálculo incorpora a posição conciliada, a precificação definida em regulamento, as despesas do fundo e, quando há classes e subclasses, a separação entre os patrimônios de cada uma. É essa cota que define quanto vale a posição do investidor, quanto ele recebe em um resgate ou amortização e quanto paga quem entra no fundo naquele dia.
Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, explica por que a ordem das etapas importa tanto quanto a precisão de cada uma:
“A cota que o investidor vê no extrato é o último elo de uma cadeia. Se a validação do lastro falhou lá no início, ou se a conciliação com a registradora deixou passar uma diferença, o número final pode até estar certo do ponto de vista aritmético e ainda assim não refletir a realidade da carteira. Por isso tratamos validação, conciliação e controladoria como partes de um mesmo processo, e não como áreas que trocam planilhas entre si”, afirma o executivo.
O dinheiro também deixa rastro
A última etapa é financeira. Pagamentos de sacados, repasses a cedentes, amortizações e resgates passam pelas contas de pagamento que a instituição opera com autorização do Banco Central, integradas nativamente à controladoria. Liquidações via Pix e TED entram no mesmo ambiente em que a cota é calculada, o que reduz o intervalo entre o recebimento de um valor e o seu reconhecimento na carteira. A base supera 9 mil contas operacionais e de pagamento ativas.
Essa integração tem um efeito pouco visível, mas relevante. Quando o fluxo financeiro e o registro contábil nascem no mesmo sistema, a pergunta sobre de onde veio determinado valor tem resposta imediata, sem depender de extratos bancários de terceiros conciliados dias depois.
Visibilidade para quem acompanha a operação
A informação produzida ao longo da cadeia não fica restrita à retaguarda. O Portal do Gestor oferece acompanhamento de carteiras e visibilidade de liquidação em tempo real, enquanto o Portal do Consultor reúne informações e relatórios operacionais para quem acompanha os fundos. Por meio do Portal do Desenvolvedor, gestoras e plataformas de originação podem consumir esses dados via APIs abertas e integrá-los aos próprios sistemas.
Rodrigo Balassiano pondera que a abertura dessas informações aos participantes da operação reduz a assimetria entre o que a fiduciária sabe e o que a gestora e o consultor conseguem enxergar. Uma divergência percebida mais cedo, por qualquer um dos lados, tende a ser resolvida antes de chegar ao cotista.
Rastreabilidade como padrão, não como exceção
Com a indústria de FIDCs se aproximando da marca de R$ 1 trilhão em patrimônio e com uma base de investidores cada vez mais diversa, a tendência é que a capacidade de reconstituir cada número divulgado se torne um critério central na escolha de prestadores de infraestrutura. Rodrigo Balassiano avalia que o mercado securitizado ganha credibilidade quando a rastreabilidade deixa de ser um esforço pontual, acionado em auditorias, e passa a ser a forma normal de operar.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.
