Paulo Roberto Gomes Fernandes viveu um momento decisivo na trajetória internacional da Liderroll. Em agosto de 2022, o Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos marcou audiências públicas definitivas sobre o túnel que deverá abrigar um novo trecho do oleoduto da Linha 5, da Enbridge, sob o Lago Michigan. Nessas sessões, a empresa brasileira terá a oportunidade de apresentar pela primeira vez sua tecnologia de lançamento de dutos em túneis diretamente aos engenheiros militares norte-americanos.
Audiências públicas definem o escopo do projeto da Linha 5
As audiências anunciadas em 25 de agosto de 2022 fazem parte do processo federal de licenciamento, conduzido sob a Lei Nacional de Política Ambiental. Foram agendadas três sessões para coletar contribuições de diferentes públicos, incluindo nações tribais, grupos comunitários, organizações ambientais, entidades pró-negócios e cidadãos em geral.
Durante o encontro presencial, além dos comentários públicos ao microfone, houve a possibilidade de enviar manifestações privadas a um estenógrafo e, ainda, de registrar contribuições escritas por meio de estações de computador conectadas ao site do Corpo de Engenheiros.
Tecnologia da Liderroll chega aos engenheiros do Exército americano
Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, essas audiências representam uma vitrine técnica rara. A Liderroll foi convidada a apresentar sua tecnologia de lançamento de oleodutos e gasodutos em túneis, já consagrada em obras complexas no Brasil, a uma plateia que inclui engenheiros do Exército, autoridades regulatórias e moradores da região. Em vez de um discurso apenas teórico, a empresa conseguiu mostrar casos concretos, parâmetros de projeto e resultados obtidos ao longo de anos de operação.
A experiência de Paulo Roberto Gomes Fernandes em lançamentos dentro de túneis longos e inclinados, com uso de roletes motrizes e suportes especiais, dialoga diretamente com as exigências desse projeto.
Na prática, apresentar um sistema já testado em ambientes confinados complexos é um diferencial importante para reduzir riscos, garantir integridade do duto no longo prazo e dar previsibilidade ao cronograma de construção. Em projetos dessa envergadura, a margem para “experimentos” é mínima, o que torna a combinação entre histórico de desempenho e inovação um ponto central na análise dos engenheiros militares norte-americanos.
Licenças, disputas políticas e cronograma até 2028
Enquanto o processo federal avança, o projeto do túnel da Linha 5 segue cercado por disputas políticas e jurídicas em Michigan. Em 2020, a governadora Gretchen Whitmer revogou a servidão dos Grandes Lagos e ordenou o fechamento da linha, o que desencadeou ações judiciais envolvendo autoridades estaduais e a própria Enbridge.

Do lado regulatório, o Departamento de Meio Ambiente, Grandes Lagos e Energia de Michigan (EGLE) já concedeu licenças estaduais para a construção do túnel, assim como a Autoridade do Corredor do Estreito de Mackinac. Ainda assim, essas aprovações não encerram o processo. As projeções indicam que, na melhor hipótese, o túnel poderia ser concluído por volta de 2028, com custo inicialmente estimado em 500 milhões de dólares em 2018.
Enquanto isso, a empresa canadense segue operando o oleoduto atual sob o Estreito de Mackinac, argumentando que o túnel é necessário para reforçar a proteção ambiental e, ao mesmo tempo, garantir a estabilidade do mercado de energia no centro-oeste dos Estados Unidos. Para a região, a Linha 5 é um corredor importante de abastecimento de derivados, e qualquer interrupção mais longa teria reflexos diretos sobre preços e logística de combustíveis.
Energia, meio ambiente e espaço para a engenharia brasileira
Nesse contexto, a presença técnica de Paulo Roberto Gomes Fernandes nas audiências do Corpo de Engenheiros ganha dimensão estratégica. O debate em torno da Linha 5 não se resume a um embate entre interesses econômicos e preocupações ambientais, mas à busca por soluções que reduzam riscos de acidentes sem comprometer a segurança energética de milhões de pessoas. Túnel profundo, acessos limitados e correntes intensas nos Grandes Lagos exigem metodologias construtivas consolidadas, capazes de entregar confiabilidade desde o lançamento até a fase de operação.
Ao levar a experiência da Liderroll em túneis brasileiros para o caso do Lago Michigan, Paulo Roberto Gomes Fernandes demonstra como a engenharia nacional pode contribuir para decisões de alto impacto em outros países. Soluções bem planejadas, baseadas em histórico real de desempenho, tendem a facilitar o diálogo entre reguladores, comunidades locais e operadores, permitindo que projetos sensíveis avancem com maior transparência e controle de riscos.
Seja no Canadá, nos Estados Unidos ou em outras regiões, o desfecho da Linha 5 reforçará uma mensagem central para o setor de dutos mundial: em tempos de pressão por segurança, estabilidade de abastecimento e responsabilidade ambiental, a qualidade da engenharia e das tecnologias aplicadas passa a ser um dos fatores mais determinantes para a aprovação (ou não) de grandes empreendimentos de infraestrutura energética.
Autor: Mikhail Vasiliev

