O Brasil deve ter cerca de 20 milhões de asmáticos. E, quando chegam as estações mais frias do ano, é comum a manifestações de crises. Embora comum, existem ainda muitas informações errôneas sobre a doença. “Por exemplo, muitas pessoas não sabem que a asma, apesar de ser mais comum em crianças, não é exclusiva da infância”, explica o otorrinolaringologista Gustavo Mury. Um outro aspecto pouco abordado, segundo o médico, é que um dos principais “gatilhos” das crises de asma é a rinite. Neste cenário, é importante ter clara a associação entre asma e as alergias. “O tratamento adequado das patologias nasais ajuda a prevenir o desencadear de alergias pulmonares, como as crises de asma”, detalha.

Com o avançar da idade, as alergias mais frequentes são as respiratórias, segundo Antonio Condino-Neto, presidente do Departamento de Imunologia da Sociedade Brasileira de Pediatria e Coordenador do Laboratório de Imunologia Humana do ICB-USP. “Em primeiro lugar, estão a asma, que provoca tosse, chiado e falta de ar, e a rinite alérgica, que provoca crises de espirro, congestão nasal, coriza e coceira no nariz”, afirma. Não existe cura para alergia, pois trata-se de uma doença de evolução crônica, na qual só é possível controlar os sintomas e a inflamação alérgica. Esse controle é feito por redução da exposição aos fatores que causam alergia. Por exemplo, se uma pessoa tem alergia a ácaro e poeira, é necessário reduzir a exposição – porém, não expor totalmente, é impossível, porque estão sempre presentes em todo lugar. A falta de tratamento de alergias pode trazer consequências e gerar complicações. Por isso, é importante procurar um médico.

Confira alguns mitos e verdades, respondidos pelo médico Gustavo Mury
1) Asma não tem cura
VERDADE. A asma é uma doença crônica dos brônquios e pulmões, que pode regredir em determinadas fases da vida, principalmente se a pessoa afetada se afastar dos alérgenos, porém não há cura, mas o tratamento atual é bem eficaz. “Não há por que sofrer pela doença ou perder dias de trabalho ou de escola por causa dela”, diz o médico.

2) Pessoas que têm asma precisam usar “bombinhas”
VERDADE. O tratamento da asma é escalonado de acordo com a gravidade da doença. Existem “bombinhas” que são usadas diariamente e outras só durante as crises. “Cada caso precisa ser avaliado pelo médico para receber o tratamento correto”, alerta Mury.

3) Asma e bronquite são a mesma doença
MITO. Asma e bronquite são similares, mas o termo asma, atualmente, é o mais correto a se usar. A bronquite crônica e o enfisema pulmonar hoje são chamados de DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) e não há relação com alergias, mas sim com o tabagismo, na maioria dos casos.

4) A asma é, geralmente, uma alergia
VERDADE. Embora existam casos de crise de broncoespasmo que não são decorrentes de crises de asma, como nos “bebês chiadores”, a asma sempre envolve processos alérgicos. Atualmente, a base da doença (fisiopatologia) é entendida como sendo a mesma para as duas doenças, mas com manifestações nas vias aéreas altas ou nos pulmões, o que chamamos de rinite e de asma, respectivamente. O médico explica que as reações envolvidas nas alergias, sejam de pele ou alimentares, também têm ligação direta com o processo da asma.

5) Quem tem asma não pode fumar
VERDADE. A fumaça, especialmente do cigarro, é um alérgeno que pode desencadear as crises de asma. Portanto, quem tem asma não deve fumar nem ficar próximo da fumaça do cigarro.

6) Asma é doença de criança
MITO. Embora mais comum na infância, existem muitos adultos e idosos que sofrem com o problema também.

7) Quem tem asma não pode fazer exercícios físicos
MITO. Atualmente, o tratamento para asma é capaz de controlar a doença, sendo possível levar uma vida normal, sem restrições. Por isso, as atividades físicas podem ser realizadas, com segurança.

 

CURTAS
Primeiro tratamento para acondroplasia
Aprovado no Brasil o primeiro tratamento para acondroplasia, uma doença rara e a causa mais comum de nanismo desproporcional. O uso do medicamento vosoritida tem como principal resultado o aumento da velocidade de crescimento anual, que pode ser comparada à de crianças sem acondroplasia e contribui para melhorar outros sintomas dessa condição. Até hoje, não havia tratamento medicamentoso para a condição. “A aprovação dessa terapia representa uma nova esperança para esses pacientes que estão desassistidos e negligenciados, sem acesso a nenhuma opção de tratamento medicamentoso específico para acondroplasia”, explica o geneticista e pediatra Dr. Juan Llerena Junior, coordenador do Departamento de Genética Médica do Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz).

Live tira dúvidas sobre problema de visão
A ADJ Diabetes Brasil realizou na semana passada a live “Fique de Olho na Retinopatia”. O evento digital gratuito teve como objetivo a prestação de serviço em saúde, contando com a participação de médico especialista em retinopatia diabética para explicar aspectos práticos de prevenção à doença, que é uma das complicações do diabetes.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui