O modelo de cogestão regional só deverá retornar na segunda-feira, 22, caso os indicadores da situação do novo coronavírus apresentarem redução nos próximos dias. A informação foi publicada na tarde desta quarta-feira, 17, durante vídeo do governador Eduardo Leite. Na terça-feira, 16, o Governo chegou a desenhar uma possível retomada do plano, no entanto, com o recorde de mortes pela covid-19, divulgadas no último boletim que chegou a 502 óbitos, e o alto índice de ocupação em leitos de UTI, fez com que o Comitê de Crise puxasse o freio de mão antes de apresentar as novas flexibilizações.

Se por um lado, as mortes não param de crescer, a ocupação parece ter apresentado leve redução nos últimos dias. De acordo com o governador, a taxa de transmissão da covid-19 verificada em fevereiro, girava em torno de 2,35. Hoje, este número caiu para 1,4. Segundo Leite, a queda já é reflexo das duas semanas e meia de restrições mais severas adotadas pelo Estado para frear o contágio e a disseminação do vírus. “É um indicador que nos choca e nos sensibiliza. Assistir ao registro de 500 mortes certamente toca qualquer ser humano que preza pela vida, mas existem outros tantos indicadores que precisam ser analisados, e o indicador que demonstra pressão na capacidade hospitalar começa a ceder fortemente”, analisou Leite.

Segundo o chefe do Executivo gaúcho, as próximas semanas ainda serão de crescimento no número de óbitos. Um estudo mostra que 60% dos pacientes que necessitam de internação em leitos de UTI acabam não resistindo às complicações da doença. Apesar dos dados negativos, a demanda de internações já começa a mostrar redução. “Parte das pessoas que ainda estão internadas infelizmente não resistirá, então, veremos um crescimento no número de óbitos nas próximas semanas, mas os dados da demanda de internações já demonstram a redução da circulação do vírus”, explicou Leite.

Na quinta-feira, 18, o retorno da cogestão regional será debatido em reunião do Gabinete de Crise e na sexta-feira, 19, com a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e com representantes de associações regionais.

Mesmo com todo o alerta feito pelo governador durante o vídeo, a retomada da cogestão já é considerada uma realidade. No entanto, com protocolos mais restritivos, os serviços não essenciais poderão reabrir suas portas, seguindo novas normas que ainda estão sendo desenhadas pelo gabinete de crise do coronavírus, entre elas, a manutenção da suspensão geral de atividades entre 20h e 5h aos finais de semana.

Até abril, o Rio Grande do Sul deverá ficar em bandeira preta, o que representa risco altíssimo de contágio. “A bandeira preta serve para alertar a população a respeito desse risco altíssimo que ainda vemos na nossa capacidade hospitalar. Ou seja, quem se contaminar neste momento ainda vai encontrar um sistema hospitalar bastante comprometido”, ressalta Leite.

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