Duas semanas após a exoneração do economista Abraham Weintraub, o Ministério da Educação (MEC) continua sem um titular. Na última sexta-feira, o Radar antecipou que o presidente Jair Bolsonaro escolhera o professor e empresário Renato Feder, atual secretário de Educação do Paraná, para chefiar a pasta. Neste domingo (5), Feder afirmou em seu Twitter que recusou o cargo. “Agradeço ao presidente Jair Bolsonaro, por quem tenho grande apreço, mas declino do convite recebido. Sigo com o projeto no Paraná, desejo sorte ao presidente e uma boa gestão no Ministério da Educação”, diz a publicação.

Ocorre que, no dia seguinte à circulação da notícia de que o paranaense ocuparia a vaga do professor Carlos Alberto Decotelli – que pediu demissão sem sequer ser nomeado, por conta das inconsistências em seu currículo -, Bolsonaro já sinalizava para apoiadores que a nomeação não aconteceria. A desistência teria sido motivada, principalmente, por um dossiê sobre Feder, entregue ao presidente por assessores pessoais. No documento, revelado pela CNN, consta que o secretário já teria defendido a redução das Forças Armadas e a legalização das drogas; além de apontar adversários políticos de Bolsonaro que estariam comemorando a escolha de Feder.

Diante da negativa “oficial” do empresário, o presidente segue em busca de um nome para o ministério, para o qual sobram indicações vindas da ala ideológica, dos militares e do Centrão. Ganharam força, por exemplo, a atual secretária de Educação Básica, Ilona Becskeházy, e o assessor especial Sérgio Sant’Anna, ambos com o apoio dos filhos do presidente e de assessores ligados ao ideólogo Olavo de Carvalho. Por outro lado, continuam cotados nomes como o do professor Antônio Freitas, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o ex-presidente da Capes, Anderson Lopes, e o engenheiro Eduardo Deschamps, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE). Segue no páreo também o engenheiro Marcus Vinícius Rodrigues, apoiado pelos militares responsáveis pelo plano de governo de Bolsonaro. Nas últimas horas, entretanto, o coronel José Gobbo Ferreira surgiu na bolsa de apostas, como um possível militar capaz de atender às exigências da ala ideológica.

Entre especialistas e ativistas da área ouvidos por VEJA, a leitura é de que a intensa disputa política e ideológica no MEC dificultará o trabalho de quem quer que esteja à frente da pasta, em pleno período de volta às aulas pós-pandemia. Um desafio ainda sem previsão de como será solucionado.

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