Este é o sétimo post da série sobre os resultados da Prova Brasil 2019 que você pode conhecer melhor neste relatório da consultoria IDados.

Em se tratando de reforma educativa, a evidência internacional aponta para três conclusões robustas. A primeira é que resultados educacionais de um país ou um sistema de ensino de grandes proporções tendem a ser bastante estáveis ao longo do tempo – a estabilidade é muito mais comum e esperada do que a mudança. Avanços são pequenos, graduais – e muito dos avanços obtidos em vários países são restritos a determinadas regiões, e não ao país como um todo.

A segunda é que poucas reformas produzem resultados significativos – e isso vale tanto para reformas de amplo espectro quanto para intervenções mais específicas. É difícil mudar e é difícil melhorar resultados com base em mudanças.

A terceira é que reformas eficazes tendem a produzir resultados em prazos relativamente curtos – entre 6 a 8 anos já se notam resultados significativos. O Pisa, em particular, é um instrumento que permite observar, com clareza, a validade dessas afirmativas. As notas dos países da OCDE são mais estáveis do que instáveis. Os poucos países que avançam o fazem em prazos relativamente curtos.

Os resultados da Prova Brasil ao longo de sua existência, desde 2005, sugerem que o Brasil anda devagar. Em 15 anos, houve um grande avanço nas notas das séries iniciais – quase um desvio padrão (50 pontos). Mas esse avanço se explica, sobretudo, pelo baixíssimo nível das notas no ano de 2005. Apenas um estado que se encontrava entre os 5 melhores avançou mais do que a média, e os 5 melhores em 2005 encontravam-se numa situação bastante medíocre.

Nas séries finais, o avanço já vem sendo bem menor, mas ainda é elevado. O problema é que o nível alcançado é muito baixo – a média da rede pública no 9º ano é próxima à média da rede privada no 5º ano. E o ensino médio encontra-se praticamente paralisado.

Existe um fosso gigantesco entre o desempenho dos alunos das escolas públicas, no Brasil, e os alunos das escolas públicas dos países da OCDE. Se continuarmos no ritmo atual de melhorias, levaremos pelo menos 40 anos para chegar onde aqueles países se encontram hoje. Devagar não se vai ao longe. Não basta avançar. Tem que avançar mais rápido. E as políticas em curso dificilmente levarão o país a uma posição minimamente adequada no concerto das nações.

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