Neste 4º post da série sobre os resultados da Prova Brasil, chamo atenção para o notável feito de Boa Vista (RR): conseguir manter sua posição apesar de um crescimento vertiginoso das matrículas.

A ideia de ranking e competição associada à divulgação dos resultados da Prova Brasil evoca os instintos mais primitivos. Não é por acaso que, depois do ENEM, a divulgação desses dados vem se tornando o evento educacional mais presente na mídia.

O caso de Boa Vista é sui generis. Trata-se de um município de aproximadamente 300 mil habitantes, mas ninguém sabe mais ao certo o tamanho da população devido ao fluxo migratório de venezuelanos. Nos últimos anos, o influxo foi gigantesco.

Como consequência desse fluxo, a matrícula no 5º ano do ensino fundamental passou de 2002 alunos, no ano de 2005, para 5.206 alunos em 2019, tendo experimentado um pico de 7.232 matrículas em 2017.

Com todos esses sobressaltos, o município conseguiu manter sua posição na Prova Brasil. Em Boa Vista, o ensino nas séries iniciais é todo municipal, e nas séries finais, todo estadual. Vem melhorando desde 2013 ligeiramente acima da média nacional, de forma consistente. Ocupa o 5º lugar dentre as capitais e se situa levemente acima da média das redes municipais do país.

Quem conhece Boa Vista e a situação vivida pelo município saberá apreciar a capacidade e o esforço necessários para manter a rede de ensino funcionando sem perder qualidade. Vale comemorar. E vale procurar entender o que permite a um município conseguir esse feito em meio a tantas adversidades.

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