Novos prefeitos é força de expressão – 64% dos prefeitos foram reeleitos. E ainda há um contingente não trivial de “ex” vice-prefeitos que assumiram as prefeituras. Pouco mais da metade dos alunos do ensino fundamental encontra-se nas redes municipais – a proporção é um tanto maior nas séries iniciais. As escolas estão fechadas. O que os prefeitos vão fazer?

Apresentamos abaixo algumas perguntas para os prefeitos, com o objetivo de ajudar a sociedade a refletir sobre o que esperar dos que assumiram o mandato neste 1º de janeiro. E terminamos o post com uma nota de esperança.

Primeira pergunta: o prefeito tem planos para reabrir as escolas?

Se a resposta for “não temos ainda! Vamos estudar. Vamos criar um grupo de trabalho”, esquece. Esses prefeitos não mereciam ter sido eleitos. Desses prefeitos pouco ou nada se pode esperar. Se um problema tão grave quanto esse ainda não foi objeto de sua atenção e deliberação, não será agora que o município encontrará um caminho.

Para os prefeitos que responderam ter planos cabe uma nova pergunta.

Segunda pergunta: qual é a data para recomeçar as aulas? Se não houver resposta, esquece. A educação não é prioridade nesse município. Se a importância dessa data não passou pela cabeça do prefeito durante a campanha nem desde que foi eleito, a educação não ocupa lugar em suas prioridades.

Mas para os que já definiram uma data – de preferência em final de janeiro ou início de fevereiro -, cabe perguntar mais.

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Terceira pergunta: quais são os seus planos? Reabertura total? Reabertura parcial? Ensino remoto?

A resposta a esta pergunta poderá fazer diferença na vida dos alunos. Mas qualquer que seja, não basta a resposta. É preciso perguntar mais:

Quarta pergunta: quais são esses planos? Será o mesmo que ocorreu ou deixou de ocorrer no ano passado? Já há materiais adequados para os alunos? Estratégias para orientar os pais? Planos já testados para abrir as escolas com segurança? Vai mudar algo no ensino presencial? Como os alunos serão avaliados? Como será organizado o programa de ensino?

É fácil – e justo – criticar autoridades pela total inépcia na condução do programa de vacinação. É causa de indignação. Mas a nossa indignação não deve ser diferente em relação às ações dos prefeitos recém-empossados na área de educação, que também deveria ser vista como prioridade. Planos para a educação já devem ou deveriam existir e estar em marcha. Isso vale para os antigos e para os novos prefeitos.

As dificuldades para fazer as escolas funcionarem presencialmente ou à distância são enormes para todos. Mas há vários municípios – e alguns governos estaduais – que vêm agindo de maneiras minimamente adequadas, alguns poucos fazendo muito bem. Quem sabe faz – já fez e continuará fazendo. Quem não sabe e sequer se apropriou do assunto dificilmente aprenderá.

Só que agora não adianta mais ficar culpando a Covid ou a falta de conexão. Agora os custos de agir ou não com eficácia – inclusive os custos políticos – serão diferentes para os novos prefeitos. Hoje existem instrumentos que permitem avaliar os municípios que fizerem um trabalho bem feito dos que se limitarem a esperar pela vacina ou por orientações de onde quer que seja. Em pouco saberemos – ou poderemos saber – onde foi feito um trabalho adequado. Não adianta culpar a Covid.

Apenas para dar um exemplo, dentre vários bons exemplos que certamente existem por aí: o município de Viamão desde o primeiro momento da Pandemia ofereceu ensino remoto. Aplicou um teste à distância para alunos que estariam concluindo o 1º ano em dezembro de 2020. Cerca de 25% dos alunos responderam ao teste. E desses, mais de 60% estavam alfabetizados, em condições comparáveis aos alunos que haviam terminado o ano em 2019. A identificação das escolas de cada aluno mostra que o esforço dos diretores faz enorme diferença: onde houve maior empenho dos diretores junto às famílias foi maior o nível de participação nos testes e, consequentemente, de aprendizagem.

Talvez o maior desafio do ensino remoto seja o de alfabetizar as crianças. Viamão comprovou que é possível superar esse desafio. Também demonstrou que não se consegue fazer tudo para todos – mas se consegue fazer muito para muitos. Mas não basta querer.

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